Carta aberta a mi, de walker caminante



carta aberta a mi.


não é à tôa que mi é o tom intermediário entre o inconsequente ré e a taciturna nota fá. mi é o aquele tom como quem já viu de tudo mas espera um pouco mais daquilo que lhe é oferecido, e que sem perder a posição, se mantém entre  entrega e a promessa. longe de ser um réu, prefere não se comprometer como juiz. não é incosequente, mas tampouco é esquizofrênico. somente espera, nada mais.
acontece que nem sempre o mi faz ponte, eou melhor, nem sempre o mi faz sol, ou lá bemol. mas nem só de mi se pode viver, por mais austero que seja o inverno, por mais lustroso que seja o chão.
para mim mas parece um processo que uma  conclusão esta estória de beleza vazio e sentido, sabe. você há de me entender se ouvir um pouco de skinny love do bon iver, ou sei lá, procurar aquelas obras do picasso em que ele pintou umas sem vezes as meninas do velazques. o que estou tentando dizer da maneira mais difícil é que: buscar sentido para fazer uma coisa já é deixar de fazer a coisa. que fazer a coisa já é o sentido, e que apreciar uma beleza é já por a coisa para funcionar; você me disse que a beleza é vazia aí onde estás, e eu digo que vaio são nosso olhos para apreciar a beleza. a beleza, (se é bela, e quanto mais bela, mais isso vale) esta feita por si mesma, e em si mesma já se basta. ja cansamos de ouvir falara da objetividade matemática da beleza, M. já  cansamos de ouvir falar das curvas femininas que inspiraram niemeyer, já cansamos de ouvir falar do smart design, mas nunca vamos deixar de apreciar a beleza em si. isso porque aquilo que é belo se refaz a todo instante, e o valor desta beleza em cada obra está aí, na sua persistência em resistir ao tempo, e em se refazer a despeito do tempo em todos os lugares ao mesmo tempo - quantas lindas flores nascem neste exato instante?
talvez você estivesse apenas tentando me dizer que a beleza nada vale se estiver no vale da morte. e que flores sem cheiro são nada além de flores sem cheiro. que talvez a beleza da suécia, no caso, nada valesse em um ser humano amortecido, cujo amor não encontra mais saída. que seja. a beleza perde o sentido. mas qual sentido a beleza deveria ter? encontramos isso na vida, esquina a esquina? procuro este sentido na memória, lembrando do meu amor que se foi, procuro sentido no futuro, pensando na beleza que virá, e na que nasce em mim. sentido de beleza não faz sentido se o que queremos, de verdade, é viver. amo a vida, e a vida me ama. me amaria mesmo que eu fosse ingrato, mas veja bem, mi, nem sempre soamos em sol com dó. nem sempre esta tudo perfeito, mas conseguimos, com um pouco de treino ou calmaria, ver beleza até mesmo nas dobras da vida. algumas pessoas fazem disso um caminho perene, como allan poe, como baudelaire, soando portishead como se fosse para sempre. a beleza não é eterna, mas se refaz a todo momento, hã? a beleza é a verdade e a verdade é aquilo todos temos de ter em algum lugar dentro de nós para manter tudo coeso, não é? bem, então a beleza é necessária, está aqui e daqui não sai. bate bate coração.


ps.: se te faço tonta é porque nós dois já estamos dançando.



2 comments

la foto está genial :)

by valnouveau on Thursday, July 01, 2010. #

ai que foto linda. que mulher maravilhosa.

by Andarilho on Thursday, July 01, 2010. #

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